A recuperação física é um dos principais fatores de contribuição para o sucesso em um torneio profissional… é um fator de desequilíbrio entre um atleta e outro, face a igualdade do nível competitivo. – Dr. Fábio Oliveira
Analisando o circuito profissional de tênis, podemos observar que o nível competitivo dos atletas que ocupam posições entre o número 200 e 500 do ranking mundial é bastante parecido. Neste período pandêmico, essa diferença tem se mostrado ainda menor.
A diferença técnica entre os atletas ranqueados entre o 80 e 200 são mínimas. Se olharmos bem para essa parte do ranking, vamos perceber a presença de grandes nomes como Andy Murray, Juan Martin Del Potro, Kevin Anderson, e outros) em meio à jovens tenistas como Thiago Wild, Brandon Nakashima, Tomas Machac, Lorenzo Musetti, Carlos Alcaraz, Jaume Munar, Kamil Majchrak, e muitos outros). Grande maioria desses atletas almejam subir cada vez mais no ranking até alcançar o tão sonhado Top 100, mas a vida nesse seleto grupo de atletas não é nada fácil.
É altamente recomendável que este trabalho de recuperação seja feito em todos os dias em que o atleta disputar um jogo competitivo.
– Dr. Fábio Oliveira
Para alavancar seus rankings, os jogadores profissionais têm muito trabalho a fazer, muitos pontos a conseguir e, por isso, eles competem durante várias semanas consecutivas.
Nessa sequência de competições na busca de pontos, acaba sendo inevitável, que em um determinado momento, o atleta se encontre em um estado de desgaste físico, o que vai afetar o seu desempenho em quadra. Ainda assim, há um possível fator de equilíbrio, que é o fato de que os outros atletas também estão no circuito há algumas semanas e, portanto, também estão propensos a apresentarem um quadro considerável de desgaste físico.
Considerando uma possível igualdade no nível competitivo e na condição física dos jogadores, o que poderia fazer a diferença? A resposta para esta questão é bastante simples, mas a sua aplicação não é tão regular quanto se pensa… principalmente nos torneios menores como os antigos “Futures” (hoje 15 e 25000$) e torneios juvenis.

Ao longo de algum tempo como fisioterapeuta do circuito profissional de tênis, tenho recebido muitas queixas de cansaço e fadiga muscular, como consequência da alta sequência de jogos e treinos intensos por várias semanas consecutivas. Já na minha função atual de personal physio, acompanhando alguns atletas profissionais, está ficando cada vez mais claro que a recuperação diária tem papel fundamental na manutenção da alta performance dos atletas, proporcionando uma renovação da condição física a cada dia de competição.
Tenho ainda observado que, coincidência ou não, a maioria dos atletas que atingiram à semifinal ou final dos torneios em que eu estive presente como fisioterapeuta, se submeteram a sessões de recuperação física durante todos os dias de competição.
Com base nisso, pode-se se sugerir que a recuperação física pode ser considerada como um dos principais fatores de contribuição para o sucesso em um torneio profissional, podendo até ser vista como um fator de desequilíbrio entre um atleta e outro, face a igualdade do nível competitivo.
Vou dar um exemplo de como a recuperação pode fazer a diferença.
Imagine que um atleta acaba de se classificar para as quartas de final de um torneio depois de um jogo de 3 horas de duração sem interrupções. É muito provável que ele esteja cansado(a), mas ainda assim amanhã terá mais um jogo que, possivelmente não será fácil. Além disso, pense que para vencer o torneio ele terá de estar fisicamente preparado para mais 3 jogos (as quartas, a semi, e a final).
Sabemos que neste cenário, cabe muitos outros acontecimentos que podem ser favoráveis ou não ao atleta, mas é crucial que seja feito uma boa sessão de recuperação dia-a-dia com o seu fisioterapeuta. Desta forma o atleta poderá estar mais preparado para as demandas exigidas no jogo de alto nível e, muito provavelmente, conseguirá suportar o jogo seguinte, sem expor todo o seu desgaste acumulado ao longo desta semana e das competições anteriores.
É altamente recomendável que este trabalho de recuperação seja feito em todos os dias em que o atleta disputar um jogo competitivo.

Para que um atleta esteja recuperado após uma partida extenuante, é sugerida que a sessão de recuperação seja composta por corrida leve de 5 a 10 minutos ou pedalada de 10 à 12 minutos, alongamentos gerais (passivos, de preferência), técnicas de liberação miofascial (foam roller, também chamado de rolinho), massagem de varredura com gelo e massagem de recuperação (mais profunda). As botas de compressão pneumáticas também têm sido muito úteis nesse processo de recuperação dos tenistas. Quando possível, o banho de imersão em gelo, também pode ser utilizado, pois apesar de haver controvérsias sobre o efeito desta técnica na eliminação do lactato sanguíneo em termos científicos, a sensação de bem-estar e relaxamento relatada pelos atletas é inegável e, portanto, considerada de grande importância física e psicológica para os atletas. E, finalmente, muita mobilização articular na manhã seguinte para as grandes articulações (ombros, quadril, joelhos e toda a coluna vertebral).
Todo esse trabalho visa ajudar ao atleta ter uma ótima noite de sono – na minha opinião, o principal item do processo de recuperação – em conjunto com uma boa alimentação e hidratação através de reposição de eletrólitos. Apesar de a recuperação diária ser extremamente importante para o bom desempenho do jogador em uma semana de torneio, seria incorreto pensar que apenas com a recuperação diária o atleta vencerá uma competição. São necessários outros requisitos, claro… mas, o condicionamento físico restaurado por uma boa sessão de recuperação, feita no dia anterior, pode fazer a diferença nos momentos cruciais de uma partida de tênis profissional.

